Em que velocidade vamos?

Em que velocidade vamos? - Sérgio Franco
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Na verdade, creio que nunca sabemos a que velocidade realmente estamos indo até tentarmos parar. Não compreendemos o quanto estamos cheios, até Deus nos esvaziar. E não percebemos o quanto somos barulhentos até buscarmos o silêncio interior. Às vezes conseguimos, pela madrugada por exemplo, um silêncio exterior, mas o silêncio interior, mesmo no deserto, não é tão simples.

O Espírito Santo usou homens e mulheres dos séculos passados, como Smith Wigglesworth, George Fox, John Woolman, Madame Guyon, Laker, Katherin Kuhlman. E também alguns contemporâneos meus, como Richard Foster, Harold Walker e Denise Franco (minha esposa), para  ensinar-me a importância de parar, ficar a sós com Deus, calando a minha boca e o meu coração para ouvir a única voz que de fato restaura, recobra, vivifica, cura, levanta. A voz do Bom Pastor. A voz do Senhor Jesus Cristo.

Ele disse que suas ovelhas ouvem e reconhecem a sua voz (João 10:4 e 27). É verdade, creio que ouvimos a voz de Deus, porém isso acontece mais por causa do amor do Pastor Divino do que por nossa prioridade ou capacidade de ouvir.

Tenho problemas em ouvir a voz do meu Pastor em meio a tantas outras vozes. Necessito silenciar todas as outras, para ouvir a doce e educada voz do Espírito de Deus.

Além de ser uma pessoa rápida e barulhenta, vivo num século veloz e barulhento. Um tempo cheio de propostas e convites. As muitas vozes acompanham o ritmo frenético dos sons. Os falantes desta geração gritam velozmente para seguirmos a correria do nosso dia a dia.

Tenho a impressão que velocidade e inquietação andam juntas, ou melhor, correm juntas, parecem irmãs. Percebo que não conseguirei aquietar-me enquanto não parar, ou melhor, priorizar de fato. Penso que a quietude não é alcançada enquanto corremos desesperadamente em nosso dia a dia e na maioria das vezes para a direção errada.

Ninguém pode parar para ouvir ou ninguém deseja parar para ouvir. Talvez se parássemos, poderíamos corrigir a direção, o caminho. O que fazer? No meu caso, penso que além de veloz, não priorizo o tempo com Deus. Na verdade, a questão não é parar, mas priorizar. Lembro-me dos apóstolos quando deixaram a mesa das viúvas para priorizarem a oração e o ministério da palavra (Atos 6:1-4). Existe algo que é prioritário e nós, na maioria das vezes, não enxergamos.

Um sacerdote católico disse em certo momento do século passado: “Na nossa sociedade, orientada para produção, estar atarefado ou ter uma ocupação tornou-se uma das principais formas, se não a principal, de  identificar-nos. Sem uma ocupação, não só nossa segurança econômica, mas nossa própria identidade são ameaçadas. Isto explica o grande temor com que muitas pessoas enfrentam a aposentadoria. Afinal, quem somos depois de não mais termos uma ocupação?” (Henri Nouwen)

Quanta coisa já mudou para nós, brasileiros, desde o século passado? É comum, hoje em dia, as crianças carregarem celulares para que seus pais possam monitorá-las. A TV por assinatura pode proporcionar uma grade de programações jamais imaginada. O homem tem com que se ocupar, quando vê-se desocupado. A era da Internet proporciona ao homem moderno entretenimentos para todos os gostos e pecados. Chega a ser difícil escolhermos o que fazer para divertir-nos. Entramos numa roda que nos leva de uma lado para outro. O Show não pode parar, mesmo quando sabemos que usamos as distrações exteriores para disfarçar nossas muitas inquietações interiores.

Não estou querendo dizer com isso que é o progresso é o único culpado pelo barulho de fora e de dentro. Longe de afirmar que apenas nos nossos dias é que as pessoas são inquietas, velozes e sem prioridade, pois estou convicto de que “Marta” existiu antes de toda esta ciência e correria. Distrações e inquietações são inerentes aos homens e não apenas ao meio em que vivem. “A nossa amada Marta já andava de um lado para o outro, mesmo sem automóvel, celular, novela das oito, rádio transmissor, internet, etc. Esteve agitada sem desfrutar a presença de um hóspede muito especial, Jesus, o Mestre amado.

A modernidade pode influenciar, mas não pode determinar nossa escolha de adorar primeiro e servir depois. Talvez, o nosso maior problema nem seja a velocidade, mas a direção, o caminho que estamos tomando nesta carreira. Pois pior do que correr é “correr no caminho errado”.

“No caminho da sabedoria, te ensinei e pelas veredas da retidão te fiz andar. Em andando por elas, não se embaraçarão os teus passos; se correres, não tropeçarás.” (Provérbios 4:11-12)

Um dia eu fiquei angustiado porque um irmão me disse que eu estava indo muito rápido. Claro que não é bom ser acelerado, pois quando estamos em alta velocidade podemos nos perder e, inclusive, deixar de ouvir a voz do Senhor. Correr na vida e buscar fazer as coisas velozmente normalmente nos gera danos. Viver no corre corre do dia à dia é tão prejudicial quanto ser atirado, precipitado e lançar-se de coração em projetos desconhecidos. Apesar disso, há um caminho que nos permite ir rápido Nele.

Uma das coisas que minha irmã Diva Franco Vilas Bôas me dizia quando jovem é que eu era um louco porque tudo que fazia, FAZIA DE CABEÇA. Ela dizia que eu me atirava com tudo nas coisas que eu cria, nos relacionamentos, nos projetos, etc. E não apenas isso, eu também fazia tudo numa velocidade absurda. Ela tinha razão. Realmente este meu jeito de ser quase me custou a vida muitas vezes.  Porém, um dia eu descobri que o problema não estava em me “lançar de cabeça com tudo”, mas em ONDE EU ME LANÇAVA. Para onde eu corria. Em quem eu depositava o meu amor e o meu coração. Em que veredas andava. Digo isso, porque no dia em que eu conheci Jesus Cristo, a melhor coisa que eu fiz foi me lançar de cabeça, com tudo e rapidamente Nele.

“Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.” (Provérbios 14:12)

“Há caminho que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte.” (Provérbios 16:25)

 O problema mais grave não está na velocidade e nem na intensidade, mas está no caminho. O Caminho não é um lugar, o Caminho é alguém. Ele disse: Eu Sou O Caminho, A Verdade, A Vida. Eu cri… Você crê… Isto é que realmente faz a diferença.  Quando andamos Nele nossos passos não se embaraçam e até quando corremos neste Caminho, não tropeçamos.

Trecho do livro “Aquietai-vos” de Sérgio Franco. Faça o download gratuitamente em: https://itun.es/br/c9oVJ.l

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