Jesus e a Lei

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O Senhor fez uma aliança com Israel ao libertá-lo do Egito. Como parte dessa aliança, Ele deu, através de Moisés, a Lei, que era um conjunto de mandamentos que mostrava Sua vontade e as exigências de Sua justiça. Aquele que não cumpria a Lei estava sob maldição (Gálatas 3:10).

Apesar de boa, a Lei era insuficiente para libertar o homem do pecado. Ela não pôde governar a carne, pois a carne estava sujeita a outro senhor chamado pecado. Por isso tornou-se fraca (enferma) e impotente ante a carne. Ninguém pode ser justificado mediante a observância da Lei.  Ele é como o prumo do pedreiro, que mostra se a parede está direita ou torta, mas, no caso de estar torta, não a pode endireitar (Romanos 3:20).

A Lei não não era uma revelação completa da vontade de Deus. O próprio Moisés afirmou isso ao dizer que Deus levantaria um outro profeta a quem o povo deveria seguir (Deuteronômio 18:15-19). O Senhor também disse que faria com seu povo uma Nova Aliança, diferente da que havia sido feita (Jeremias 31:31,32).

As promessas de Deus se cumpriram. O grande profeta, de quem Moisés havia falado, já chegou: Ele é o Senhor Jesus (Atos 3:22-26). Ele é, ao mesmo tempo, o mensageiro e a própria mensagem. Ele é o Verbo (João 1:1,2), a revelação plena de Deus:

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hebreus 1:1,2).

No monte da transfiguração, enquanto Moisés e Elias apareceram com Jesus, o Pai declarou desde os céus que Seu Filho deve ser ouvido:

“Este é o meu filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (Mateus 17:5).

Em Jesus foi feita a Nova Aliança que havia sido profetizada por Jeremias:

“Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas” (Hebreus 8:6).

A Nova Aliança é superior à Antiga, em todos os seus aspectos, tanto em suas exigências quanto em seus benefícios.

As exigências da Nova Aliança

Jesus não veio para revogar a Lei, mas para cumpri-la. E de fato, Jesus a cumpriu cabalmente em sua própria vida, oferecendo-se a Deus como sacrifício perfeito pelos nossos pecados. Tendo sido a Lei cumprida em Jesus, por meio dEle já não estamos mais debaixo da Lei, mas sim debaixo da graça.

Mas isso significa que Jesus “afrouxou” as exigências da Lei no que diz respeito aos seus aspectos morais? Será que agora podemos pecar pois estamos debaixo da graça? De modo algum. Sobre isso Paulo escreveu:

“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça. E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum! Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Romanos 6:12-18).

A doutrina apostólica orienta aqueles que foram livres da do pecado a viverem em santidade porque foram incluídos na morte de Jesus. Logo, mortos para o pecado, senhor da carne, são instruídos pelo apóstolo a praticarem aquilo que conduz à santidade, pois muitos pretextando graça vivem em pura desgraça.

fato de não estarmos mais debaixo da Lei não significa que o pecado não existe mais. Só na epístola aos Hebreus (um dos livros que mais destacam a superioridade da Nova Aliança), somos advertidos a nos desembaraçar do pecado, a lutarmos contra ele, a não nos deixarmos endurecer pelo engano que ele produz.  

“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta” (Hebreus 12:1).

“Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hebreus 12:4-6).

“Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado (Hebreus 3:12,13).

“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo” (Hebreus 10:26-30).

Infelizmente, muitas pessoas , em nome de uma “falsa graça”, estão ultrajando o próprio Espírito da graça.

Recentemente, em um post nas redes sociais, Sérgio Franco (um dos membros da nossa equipe) escreveu um comentário que reflete uma importante verdade: “Quando chamados pecado de doença, quando usamos eufemismos para identifica-los ou quando transferimos culpa ou negamos a sua existência em nome de uma falsa graça, longe estamos de nos arrepender, pois estas atitudes são provenientes de um coração soberbo.

O fato de sermos justificados pela fé, e não pela Lei, não faz com que o cristão viva sem nenhuma lei. Ainda que não estejamos mais sob a Lei de Moisés, estamos sob a Lei de Cristo.

“Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei (embora não esteja livre da lei de Deus, e sim sob a lei de cristo), a fim de ganhar os que não têm a Lei” (I Coríntios 9:21).

Em seu ensino, Jesus não afrouxou a justiça “exigida” pela Lei de Moisés. Seus mandamentos exigem muito mais. Por exemplo: a Lei condenava o adultério, mas Jesus condena o olhar com intenção impura. A Lei condenava o homicídio, mas Jesus reprova o coração irado. Quando Jesus dizia “Eu, porém, vos digo…” não estava anulando o mandamento, mas estava mostrando com mais clareza a razão pela qual Deus o estabelecera.

O próprio Senhor Jesus espera que os seus discípulos sejam mais excelentes na prática da justiça do que qualquer judeu zeloso da Lei (Mateus 5:20):

Porém, se as exigências da Nova Aliança são superiores às da Antiga Aliança, quão maiores são os benefícios!

Os benefícios da Nova Aliança

A Lei exigia o sacrifício de animais como meio pelo qual o homem alcançava a remissão de pecados. Porém, na Nova Aliança, o preço pela nossa remissão foi pago pelo sacrifício do Filho de Deus (Hebreus 9:13,14). Esse sacrifício é suficiente para nos dar remissão completa dos pecados.

“Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hebreus 9:13,14)

“Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hebreus 10:12-14).

O texto de Jeremias 31:33 nos diz em que consiste a Nova Aliança:

“Porque está é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”.

Enquanto a Lei apenas nos mostrava o pecado, mas não os libertava dele, em Cristo nós recebemos o poder para vencê-lo. O Senhor escreve dentro de nós os seus mandamentos, e faz isso através do Espírito Santo. Na Nova Aliança recebemos a dádiva do Espírito, e, por meio dele, cumprimos os mandamentos do Senhor.

“Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ezequiel 36:26,27).

“Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Romanos 8:3,4).

Sem o Espírito Santo é impossível viver em obediências a Jesus. Seria como puxar vagões de um trem sem a locomotiva.

Portanto, como filhos de Deus, vivendo pela graça, temos total condições de termos uma vida vitoriosa contra o pecado, expressando a Santidade do nosso Pai.

Em Cristo,
Anderson Paz

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