“Ninguém se esforça para nada”

ninguém se esforça pra nada
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Na era da comodidade e do conforto, somos tentados todos os dias a estabelecer como regra o princípio do menor esforço. O problema é que isso se torna um vício, abrangendo todas as áreas da nossa vida. Ninguém se esforça para nada. A disposição de se fazer algo trabalhoso se torna cada vez mais desafiante pra nós. A não ser que esse esforço seja conveniente e redunde em conforto no final. Queremos que o paraíso seja aqui, e muitos vivem como quem pertence a este mundo, acomodando-se cada vez mais, como naquela velha historinha da rã que é colocada na panela com água quentinha, gosta, se acomoda e fica ali até ser fatalmente escaldada.

O vinde de Jesus é para o descanso:

 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28).

Porém a leitura mais atenda desse convite nos permite observar o próximo verso:

 “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mateus 11:29).

Embora o jugo de Jesus seja leve, suave e nos conduz ao descanso, ele exige um esforço: Tomar outro jugo. Para aprender a ser humilde e manso, requer de nós a experiência diária da abnegação trabalhosa. A graça de Deus nos convida a desfrutar dessa maravilhosa honra de seguir ao lado dEle. E isso não requer nenhuma responsabilidade ou disposição nossa?

O Senhor disse a multidão que o perseguia absorta pela necessidade material:

Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo” (João 6:26).

Paulo explica que:

A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente” (Tito 2:11-12).

Observou que existe uma contrapartida que exige disposição? A graça abre a porta, estende a mão, nos dá o acesso ao que antes era inacessível pelo simples esforço e disposição humanos. Contudo não suprime a necessidade da resposta humana.

Nessa altura alguém pode estar pensando: E o fato de que somos salvos pela graça?

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8).

Como disse anteriormente, é inegável o fato de que a graça nos abre um acesso que antes era intransponível. Ninguém mereceu por esforço ou obra alguma, que Ele nos estendesse as mãos mesmo ainda quando estávamos longe, caídos e destituídos da glória do Pai. Mas isso não tira de nós a responsabilidade, a resposta de corresponder a mão estendida. Esse ato requer de nós um esforço. Nos tira da comodidade, nos desafia e testa a nossa disposição em corresponder ao socorro. Alguém que está se afogando não pode se entregar. Precisa lutar pra se manter em condições de ser salvo pelo resgate.

Como compreender a graça e ao mesmo tempo compreender as palavras de Jesus nesses termos:

Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:24).

O intuito dessas palavras não é falar simplesmente de salvação ou colocar um peso sobre o tema do juízo, mas para despertar o leitor para o fato de que a vida no Reino de Deus requer disposição, disponibilidade e esforço, visto que a maioria de nós está completamente anestesiada pela lei do menor esforço, da comodidade e do trabalho pelo pão que perece. Distraídos, muitos filhos de Deus se corrompem e vivem uma vida marcada pelo materialismo, improdutividade, indisposição e pelo conforto de ser alguém que só consome. Muita gente não entendeu a mensagem. Querem ser servidos ao invés de servir, querem comer bem ao invés de alimentar, não querem ter o trabalho de levar a carga e o fardo de outros. Temos dificuldade de suportar os maus costumes dos outros, não somos mais movidos por íntima compaixão, como foi Jesus. Até mesmo para estarmos juntos existe uma indisposição. Perdeu-se o senso de necessidade e do valor de perseverarmos unanimemente na doutrina, na comunhão, no partir do pão e nas orações.

É mais fácil olhar pra vida de Paulo e encaixá-lo na categoria de um homem fora do normal, excêntrico e extremista por causa de suas palavras:

Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele.

Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne. E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé” (Filipenses 1:24-25).

recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas; por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama, como enganadores e sendo verdadeiros; como desconhecidos e, entretanto, bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2 Coríntios 6: 6-10).

E pouca gente tem a disposição de ser cooperador e participante desse esforço. A igreja em Filipos foi um exemplo disso:

 “Todavia, fizestes bem, associando-vos na minha tribulação” (Filipenses 4:14)

Hoje é raro conviver com pessoas que se associam com outras nas tribulações, menos ainda aqueles que querem ser assim. É difícil ser alguém assim. Oro pra que mudemos a nossa referência, pra respondermos com disposição, zelo e carga a nossa vocação e não sejamos mais filhos e filhas que sofrem de obesidade mórbida espiritual.

Ideraldo Costa de Assis

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