Trabalho e Espiritualidade

Trabalho e Espiritualidade
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Muitos de nós no passado tínhamos um conceito equivocado acerca do trabalho material. Críamos que existia uma dicotomia entre o material e o espiritual, o secular e o sagrado, o temporal e o eterno. Quando o Espírito Santo abriu nossos olhos e compreendemos o reino de Deus, essa divisão desapareceu. Hoje entendemos que o material é expressão do espiritual.

Para o cristão tudo é sagrado. Limpar a casa é tão espiritual como orar, trabalhar para ganhar o sustento diário é tão sagrado como pregar. O eterno se constrói no temporal; no tempo e no espaço construímos nossa realidade eterna.

Por isso a atitude e o comportamento do homem frente ao trabalho é essencial para conhecer sua verdadeira estatura espiritual. A conduta de uma pessoa no trabalho revela muito mais seu caráter do que seu comportamento em uma reunião.

Por outro lado, tem sido apresentado a muitos, especialmente aos jovens, um dilema equivocado: A que me dedico? Ao trabalho secular ou a obra de Deus? Na Bíblia não se observa que os apóstolos fizeram chamados desta índole nas comunidades primitivas;  os discípulos não eram sujeitados a esse dilema, mas lhes era ensinado que cada um deveria se ocupar com seus trabalhos e negócios. E, quando tinham que estabelecer pastores nas comunidades, não buscavam entre os jovenzinhos recém graduados nos “seminários”, mas sim entre os homens formados que tinham ofícios, famílias e que, havendo mostrado um bom desempenho em suas vidas, lugares e trabalhos, agora podiam ensinar e instruir aos demais com a Palavra de Deus. Ainda mais, ser constituído como pastor não significava necessariamente que deviam abandonar seus trabalhos materiais. Quando as atividades da igreja exigem e há recursos suficientes para manter economicamente aos pastores, então estes podem se dedicar completamente ao trabalho ministerial.

Princípios bíblicos sobre o trabalho

  1. Deus trabalhou na criação durante seis dias (Gênesis 2.2-3).
  2. O homem foi criado à imagem de Deus (Gênesis 1.26-28). Portanto, fomos feitos para trabalhar seis dias na semana. O trabalho não denigre o homem, mas o dignifica e o ajuda a ser forjado à imagem de Deus. O ócio e a preguiça corrompem o homem.
  3. O trabalhar é anterior à queda do homem (Gênesis 1.28; 2.15). Alguns creem erradamente que o trabalho é uma maldição que Deus estabeleceu para o homem como resultado do pecado.
  4. Trabalhar é um dos dez mandamentos que revelam a vontade de Deus para todos os homens:Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus” (Êxodo 20.9-11).
  5. Até os 30 anos Jesus trabalhou com seu pai. Era chamado de “o filho do carpinteiro” (Mateus 13.55) e “o carpinteiro” (Marcos 6.3). Ele com seu exemplo dignificou e santificou o trabalho manual.
  6. Paulo sendo apóstolo muitas vezes desenvolveu seu ministério trabalhando simultaneamente com suas mãos (Atos 18.3; 20.34-35).
  7. O trabalhar materialmente era parte importante da doutrina apostólica (Efésios 4.28; 1 Tessalonicenses 4.11-12; 2 Tessalonicenses 3.7-12).
  8. A preguiça, o ócio e a negligência são falhas muito sérias na vida de um cristão (Eclesiastes 10.18; Provérbios 6.6-11).
  9. É inadmissível que um cristão tenha o ideal egoísta do homem inconverso:“E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco!” (Lucas 12.19-20a).

Três leis que devemos considerar em relação ao trabalho

  1. A lei natural da compensação. “Se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Tessalonicenses 3.6-15). O que trabalha pouco terá pouco, o que se esforça mais, progredirá mais. Em condições justas cada um receberá o proporcional ao seu trabalho.
  2. A lei da fé. Mateus 6.25-34. Em geral, podemos dizer que a vontade de Deus é que prosperemos (3 João 1.2). Porém, é necessário que opere a lei da fé. “Pedi, e dar-se-vos-á” (Mateus 7.7). “Conforme a tua fé te será feito”. Não só devemos trabalhar, mas também crer que Deus nos proverá e prosperará.
  3. A lei do amor. 2 Coríntios 8.9; Efésios 4.28. O fruto da prosperidade não se deve investir egoisticamente, só para nós mesmos, mas sim para compartilhar com o que padece necessidade. “suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles”  (2 Coríntios 8.14-15; Provérbios 11.24-25)

A ética cristã do trabalho

Efésios 6.5-9; Colossenses 3.22-41; 1 Timóteo 6.1-2; Tito 2.9-10; Levítico 19.3. Estas passagens nos sinalizam qual há de ser o comportamento do cristão no trabalho segundo a tarefa que desempenha.

 Para o empregado:

  • Obediência e não rebelião.
  • Respeito e não insolência.
  • Lealdade (não servindo apenas sob vigilância), e não traição ou engano.
  • Diligência (de coração), e não negligência ou indiferença.
  • Qualidade (como para o Senhor) e não mediocridade.

Para o patrão:

  • Tratar os seus empregados com justiça e retidão.
  • Sem ameaças.
  • Sem opressão.
  • Salários justos e sem atrasos.

 Qual é o propósito do trabalho?

  1. Ter o quê comer (2 Tessalonicenses 3.12).
  2. Contar com o necessário para viver honradamente (1 Tessalonicenses 4.11-12).
  3. Prover para a família (1 Timóteo 5.8).
  4. Compartilhar com o que padece necessidade (Efésios 4.28).
  5. Prosperar (Provérbios 12.11, 24; 13.4, 11).
  6. Ser fiéis em ofertar e dizimar ao Senhor. (2 Corintios 9.6-7; Malaquias 3.10).
  7. Cooperar com Deus em dominar, cuidar e embelezar sua criação (Gênesis 1.28).

Jorge Himitian
Texto originalmente publicado em espanhol no site do autor

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