“Nunca havia me ocorrido que minha responsabilidade como pastor era ensinar a viver”

responsabilidade como pastor era ensinar a viver
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Nasci num lar evangélico. Desde criança me levaram à escola dominical e às reuniões. Em nosso bairro havia uma paróquia católica que tinha um grande campo onde se realizavam campeonatos de futebol. Eu pertencia a uma das equipes do bairro. E para que nos permitissem jogar, devíamos ir à missa no domingo. Lembro que nesse tempo — eu tinha uns 9 ou 10 anos — a primeira missa do domingo era às seis da manhã, e o templo se enchia até a metade. A segunda era às sete, e já havia um pouco mais de gente. A partir das oito e até meio dia havia missa a cada meia hora, e em cada missa o templo estava repleto. Desde as seis da tarde havia missa a cada hora até às dez da noite. Nesses anos (1950) a Igreja Católica tinha o povo argentino praticamente em suas mãos, mas lamentavelmente só lhe deu liturgias e sacramentos, mas não lhe ensinou a viver.

Quando eu tinha 15 anos me converti a Cristo, e ele mudou minha vida. Aos 24 anos me tornei pastor de uma congregação e com um grupo de jovens iniciamos evangelizando um bairro populoso da cidade de Buenos Aires. Eu havia estudado quatro anos num seminário, e quando me tornei pastor segui o costume dos demais pastores. Nunca me ocorreu que minha responsabilidade era ensinar às pessoas a viver. Assim lhes ensinava acerca da oração, do céu, da segunda vinda de Cristo, do Salmo 23. Dava-lhes devocionais, mensagens sobre a justificação pela fé, sobre a redenção e outros bons temas similares. No entanto, quando saíamos da reunião, o que haviam escutado no sermão não lhes servia para sua vida cotidiana. Não me havia ocorrido que  minha responsabilidade era ensiná-los  acerca do casamento, da criação dos filhos, do sexo. Do sexo? A igreja era demasiadamente santa como para falar desse tema! Ou da administração do dinheiro. Dinheiro? Não, havia temas mais espirituais: o céu, a segunda vinda de Cristo, a salvação. Todos esses temas eram bons e necessários, mas as pessoas necessitavam aprender a viver segundo a vontade de Deus. No entanto, nem aos pastores evangélicos nem aos sacerdotes católicos lhes havia ocorrido que nossa responsabilidade era ensinar as pessoas a viver.

Até que Deus nos visitou. No ano de 1967 houve um derramamento do Espírito Santo em Buenos Aires que se estendeu a muitos outros lugares e países do mundo. Deus nos batizou com seu Espírito e aprendemos a falar em línguas, a louvar e adorar, entre outras coisas. E nos parecia que agora estávamos bem porque nos encontrávamos em meio a uma forte experiência espiritual. Assim, no primeiro ano pensávamos que isso era tudo. Porém, no ano seguinte Deus abriu nossos olhos. Os anos de 1968, 1969 e 1970 foram de intensa revelação, como se de repente nos tivessem tirado um véu. E começamos a entender o reino de Deus e sua vontade. Ali aprendemos que devíamos ensinar as pessoas a viver segundo a vontade de Deus. Percebemos que devíamos ensiná-los tudo concernente à vida cotidiana.

O Senhor, ao nos revelar o evangelho do reino, o senhorio de Cristo e o discipulado, nos fez entender que ao nos dedicarmos a fazer discípulos devíamos não só batizá-los, mas também ensiná-los a guardar todas as coisas que Jesus ensinou. Era como aterrissar o Senhorio de Cristo na vida prática, no terrenal e cotidiano.

O Senhor mudou nossa visão ministerial. Entendemos que nossa tarefa principal como pastores era o discipulado. A condição para poder aprender é ser discípulo. Um discípulo é alguém que se deixa ensinar, é manso como uma criança. Usemos um exemplo: um discípulo conta a seu discipulador um conflito que tem tido com sua esposa; e seu discipulador lhe diz: “Segundo o que acaba de me contar, você ofendeu sua esposa. Então, agora ao voltar pra sua casa, se aproxime dela e lhe peça perdão” O que deve fazer o discípulo? Obedecer. no entanto, quem não é discípulo começará a argumentar: “Por que tenho que lhe pedir perdão? Ela me trata mal todos os dias”. Quem tem tal atitude não é um discípulo. Necessita se converter. Aceitou Jesus como seu Salvador, mas não como seu Senhor.

Durante muitos anos pregamos um evangelho incompleto: “Se você quer ser salvo… aceite Jesus como seu Salvador”. Todavia, a Bíblia diz: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Romanos 10:9).

Para sermos salvos devemos reconhecer a Cristo como Senhor. Trata-se de uma verdade muito clara que define nossa vida. Quando alguém que vivia como queria se converte reconhecendo a Jesus como seu Senhor, tem esta nova atitude: “A partir de agora quem manda em minha vida é Jesus. Agora sou seu discípulo. Antes vivia como queria, mas de agora em diante ele é meu Senhor, meu dono, minha autoridade absoluta. O que ele me disser, isso farei. Se me diz: ‘Ame os seus inimigos’, os amarei. Se me diz: ‘Peça perdão a sua esposa’, pedirei. Se me diz: ‘Obedeça aos seus pais’, obedecerei’. Sou um discípulo, estou aprendendo a viver segundo Sua vontade”. Esse é o ponto de partida para aprender a viver.

Jorge Himitian
Extraído da página do autor no Facebook.

Texto publicado originalmente em espanhol

 

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  • Ulisses Nunes

    Ótimo texto. Ensinar a viver, ou seja, não deixar desgarradas suas ovelhas.

  • Ulisses Nunes

    Ótimo texto. Ensinar a viver, ou seja, não deixar desgarradas suas ovelhas.